1 de Março de 2008

A estrutura da Cultura Cigana - Módulo II

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

Um pouco sobre os costumes ciganos

“O tempo é uma ilusão do homem e as fronteiras são apenas linhas em um mapa”

Ao que tudo indica, o povo cigano teve origem através de uma migração de indianos em direção ao ocidente. Depois de passar pela Pérsia e pela Turquia, sua presença já é registrada na Grécia e em outros países balcânicos. Como base dessa afirmação temos a hipótese mais aceita sobre a origem do povo cigano, que diz que seu berço é datado de dois ou três séculos antes de Cristo, vindos de uma civilização da Índia Antiga. Outros pontos também colaboram para que essa hipótese seja reforçada, como a tez morena, comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e coloridas e princípios religiosos, tal como a crença na reencarnação. O fato de o povo cigano não ter, até os dias de hoje, uma linguagem escrita torna ainda mais difícil definir sua verdadeira origem.
Contudo, o povo cigano é guardião da liberdade e seu grande lema é “O Céu é meu teto, a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião.” Em sua maioria, os ciganos são artistas e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas. A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência. Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para o cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. Onde quer que estejam, os ciganos são logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus hábitos ruidosos. É um povo cheio de energia e grande dose de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio código de ética, honra e justiça, senso, sentido e sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema. Eles usam ervas, chás e toques curativos.
Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.
O misticismo e a religiosidade, fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.
Outro fato que chama a atenção para a provável origem indiana do povo cigano, é a santa por quem nutrem o mais devotado amor e respeito, chamada Santa Sara Kali. Kali é venerada pelo povo hindu como uma deusa, que consideram como a Mãe Universal, a Alma Mater, a Sombra da Morte. Sua pele é negra tal como Shiva.
Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o “sagrado”, quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação à grande “madrinha”. As celebrações da Lua Cheia, acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações. Também para os ciganos tudo na vida é “maktub” (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.

Vestimentas e danças ciganas

A música aparece de maneira marcante na história de quase todos os povos, mesmo aqueles considerados primitivos ou selvagens, representando uma parte ativa e de importância na estrutura social e religiosa dos mesmos. As tribos indígenas do Brasil e da América do Norte são exemplos vivos de povos que dançavam e ainda dançam em ritos e cerimônias ofertados aos deuses.
A música árabe, flamenca e hindu são as que mais se assemelham à dança cigana. O povo cigano tem na dança uma de suas mais vivas e exuberantes formas de expressão, tirando dos passos, dos volteios do corpo, do rodar de suas saias, do meneio de suas cabeças e mãos, uma alegria contagiante e uma vivacidade talvez única.
Dependendo de sua origem, algumas ciganas dançam segurando pandeiros enfeitados com fitas coloridas, lenços esvoaçantes, leques ou flores. Os homens dançam com as mulheres apenas reforçando a presença masculina, sem toque ou contato físico entre eles. Nas danças em grupo é mantido o respeito entre homens e mulheres, sendo que os homens preferencialmente dançam em grupos somente masculinos, numa dança vibrante, máscula,com passos muito marcados, que requerem muita agilidade e grande condicionamento físico. Os bailados masculinos lembram as danças gregas e russas, que requerem muito mais um ótimo treinamento físico que simples passos de dança. Nas festas, a dança é livre, sem regras. Cada um se diverte como quer, nunca esquecendo o recato e os limites entre homens e mulheres. Nas danças cerimoniais ou rituais existe maior formalidade, os movimentos são mais singelos, curtos e lentos, a expressão do rosto é séria e as cores das roupas mais sóbrias, pois o importante é o fundamento do ritual, que em geral é a entrega de oferendas à natureza, tida como uma força divina, protetora e doadora de bênçãos. O violino, as castanholas, a guitarra cigana, o aderbaque, o banjo, o violão e o pandeiro são os instrumentos mais comuns entre os ciganos, apesar de variarem conforme a região de sua procedência.
Os ciganos procedentes da Espanha, os gitanos, dançam o flamenco, uma dança em dupla ou em grupo onde é forte o sapateado, o bater enérgico das palmas das mãos e o som das castanholas.A dança é aprendida desde a infância e não existe limite de idade para se dançar.
Suas roupas representam um dos aspectos mais importantes de sua cultura, pois além do significado próprio das vestes dentro dos costumes ciganos, traduzem também uma obediência às tradições do passado e uma das formas de mantê-las vivas ao longo do tempo.
As mulheres usam saias longas, geralmente até os tornozelos, numa demonstração de recato e ao mesmo tempo sedução. Acham desnecessário expor o corpo no pressuposto de que tudo que é muito fácil é desvalorizado. As blusas não possuem decotes ousados, as saias são rodadas e fartas, usando as ciganas mais ricas várias saias sobrepostas. O colorido é o forte atrativo de suas roupas. Muitas gostam de xales, fitas, rendas, possuindo um significado simbólico dentro de cada família cigana. As mulheres ciganas são muito vaidosas e faceiras, usando a discrição das roupas para fascinarem. As mulheres casadas usam o diklo, lenço de seda no cabelo, as solteiras não. O lenço não precisa cobrir todo o cabelo, mas apanhar um tanto do cabelo. Se uma mulher casada retira o lenço em público ou deixa de usá-lo isto é encarado como de mau agouro, desrespeito ao marido ou chamamento de viuvez. As jóias são usadas por ambos os sexos. Cordões de ouro, colares, pulseiras, anéis fazem parte da indumentária cigana como sinal de poderio econômico e elementos de proteção.
A roupa dos homens também é bem cuidada, compondo um visual elegante e ostensivo. Camisas bordadas, de mangas largas, calças confortáveis e botas são complementadas com cinturões largos, ou longas faixas de tecido colorido presas à cintura. Alguns usam chapéus de aba larga e lenços na cabeça ou no pescoço.
As cores possuem um significado que é usado tanto nas roupas femininas quanto masculinas. O vermelho simboliza a energia do fogo purificador e é usado para afastar as más influências e a negatividade; o amarelo traduz a riqueza, a vivacidade e a inteligência; o verde traz o simbolismo da cura, da esperança e da renovação da vida tal como acontece na primavera, que transborda de verde e cores mil, após o frio e o rigor do inverno. O povo cigano associa o azul ao céu, onde residem os espíritos guardiões e a Virgem Maria recoberta por seu manto azul; esta cor traz a tranqüilidade e a paz das esferas superiores, além de representar o elemento água. O cinza não é bem visto. O branco simboliza a pureza das crianças, dos anjos protetores e os estados virginais. O preto é usado como uma cor complementar ou de fundo, e raramente veremos um cigano vestido totalmente de preto, que é uma cor usada nos funerais, embora eles não tenham por hábito vestir luto. O preto é reservado para os rituais de magia junto com o branco e o vermelho.
Andar sem calçados também faz parte do misticismo cigano, pois acreditam que esta é uma maneira de descarregar a energia negativa na terra, ao mesmo tempo propiciando a entrada de energia positiva que vem do céu, do Sol, da Lua e das estrelas.
Os ciganos são pessoas que prezam o suficiente sua história e primam por mantê-la viva, inclusive no que diz respeito às vestimentas e à dança.

Culinária cigana

Aos traços da cultura cigana não se pode deixar de acrescentar as características muito particulares de sua culinária.
As ciganas, por exemplo, não cozinham durante o período menstrual, grávidas ou em período de resguardo. A culinária e muito bem empregada, já que os pratos são feitos na intenção de homenagear e encantar os convidados à casa da cigana. Na casa dos Romani (ciganos) mais tradicionais, os objetos de limpeza da cozinha são separados dos demais. Toda comida é cuidadosamente preparada, e a água utilizada para lavar os utensílios, bem como a preparação dos alimentos, deve ser pura. As mãos são utilizadas em lugar de alguns talheres, por isso é hábito entre nômades lavar sempre as mãos antes de sentar-se à mesa.
As especiarias são a alma da culinária romani. Além do sabor que acrescentam aos pratos, oferecem-nos também seus dons mágicos. Todos os rituais Romani envolvem a divisão do alimento. Para este povo, uma das maiores ofensas é recusar uma refeição. Para o povo cigano, é o corpo que se nutre, mas é o espírito que se alimenta.

O flamenco

” Se no tiene con el flamenco una relacíon de diez horas diarias, distribuidas entre ensayos, estudiar, practicar, aprender, enseñar, leer, escuchar, revisar vídeos (pero no para copiar cosas) e pensar en todo esto, es muy difícil que el nivel llegue a ser bueno.”
Carlos Ledermman

Existem muitas perguntas sobre o flamenco: Como surgiu? Porque se chama flamenco? O que de fato é o flamenco?…indagações que muitos pesquisadores buscam responder e dedicam milhares de livros todos os anos sobre o assunto.
O flamenco surgiu em Andalucia, região da Espanha. Provavelmente resultado de várias influências culturais ancestrais judaicas, árabes, catalãs e ciganas, que se fundiram na região e foram passadas de geração a geração. Sua história é recente, contando com um pouco mais de duzentos anos de existência documentada. É através do canto, da música e da dança que o flamenco se manifesta estando estas três artes tão bem interligadas que se torna impossível imaginar um bom espetáculo de flamenco sem um cantor, um ou dois músicos e algumas bailarinas! É conhecida com arte ‘Honda’ pois pode proporcionar um canal de expressão dos profundos e complexos instintos humanos, ou arte cigana pela influência da cultura cigana tão presente ao longo de sua história e origem.
Ele possui distintos ritmos, conhecidos como ‘palos’, sendo os principais palos os que dão origens a novos de acordo com a região, momento histórico, ou até mesmo criados por habilidosos artistas que deixaram no flamenco o nome gravado para a eternidade. Palos estes que expressam festividade, patriotismo, religiosidade, paixões obscuras, pesares.
Por muito tempo ficou escondido nos subúrbios e regiões portuárias de Sevilla, Jerez, Granada, Utrera e Cádiz. Depois se tornou atração turística dos cafés cantantes, teatros e arenas, até espalhar suas sementes nos países de língua espanhola no período da guerra civil, aplacando a saudade e o orgulho dos que precisaram fugir da pátria-mãe. Provavelmente com a expansão do mercado consumidor de produtos e espetáculos flamencos, ele se libertou da indumentária folclórica espanhola e ganhou ares de linguagem artística por si, massificando-se. Atualmente ele sobrevive ao tempo e modismo transcendendo fronteiras e nacionalidades, recebendo influência de outras tendências musicais ou técnicas de dança, contudo sem perder suas características marcantes.

1 de Março de 2008

Características do ócio criativo

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

O ócio criativo

Este pensamento afirma que vivemos em uma sociedade , que ele chama de pós-industrial, onde o homem é apenas mais um elemento produtivo, não há distribuição igualitária do poder, do saber e do trabalho e uma verdadeira obsessão consumista faz do homem um autômato sem tempo para desenvolver-se como um todo.

Ao constatar que trabalhamos hoje, de forma tão primitiva como se fazia muito antes do surgimento da industria e de que nossas horas de lazer são mais uma compensação pelas horas trabalhadas do que verdadeiramente lazer, o sociólogo propõe a teoria do ócio criativo. Aqui, “ócio” não significa preguiça, sedentarismo ou alienação. Talvez a melhor analogia que possa ser dada para exemplificar, seja a do poeta deitado na rede , compondo mentalmente seus versos. O ócio criativo significa, então, um exercício do sincretismo entre atividade, lazer e estudo, propondo ao homem que ele se desenvolva em todas as suas dimensões.

Aqui não se prega a diminuição das horas trabalhadas, antes até um aumento, mas que a responsabilidade não seja tão estafante quanto a atividade de quebrar pedras. O que ele afirma é que deve haver uma fusão entre produção e prazer. Se a necessidade é a mãe das invenções, o ócio é, então, o pai das idéias.

O grande entrave para a nova base econômica proposta por Domenico é que ela não mais se fundaria na cumulação de bens materiais, na obsessão pelo trabalho ou pela produção, o que significa interferir não só em grandes conglomerados e multinacionais, mas atingir diretamente a cultura de países e , mais especificamente, o modo de pensar de bilhões de indivíduos educados para se tornarem produtores-consumidores.

Longe de ser anacrônica, a teoria de Domenico já encontra adeptos em todo mundo. Inclusive nas grandes empresas há casos de empregados que desenvolvem suas atividades em casa ou mesmo possuem horários de trabalho totalmente flexíveis.

Mesmo àqueles para os quais a idéia do ócio criativo possa parecer intangível, a leitura ainda será proveitosa por se tratar de uma verdadeira aula de história da sociedade industrial.

O ócio criativo é a forma que o artista encontra pra definir seu trabalho de uma maneira formal e estruturada dentro da sociedade contemporânea. O artista que pensa e age e desta forma produz e cria! Criar cansa e muito. O verdadeiro artista sai desgastado e por vezes enlouquecido!

abraços a todos

Ribamar

13 de Fevereiro de 2008

Os Ciclomáticos DNA - Ariano Suassuna

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

Estudo da Farsa da Boa Preguiça

Olá meninos do DNA! Bem vamos lá: sugiro que no estudo de vocês percebam a questão política inserida no texto, percebam nas entrelinhas certas colocações que Suassuna, às vezes, moderadamente, em outras deliberadamente, ela se insere nas falas das personagens. Mais a frente estudaremos à respeito da Teoria Marxista e também a estruturação no formato de Checov. Aqui vai um texto que fala um pouco da construção do texto da Farsa da Boa Preguiça:

O Trabalho e o Ócio

Há uma Preguiça com asas,/ outra com chifres e rabo. /
Há uma preguiça de Deus / E outra preguiça do Diabo.
(Ariano Suassuna, Farsa da Boa Preguiça)

“…. depois que escrevi a Farsa da Boa Preguiça, comecei a tomar conhecimento de artigos nos quais os sociólogos nos alertavam para os problemas que poderiam advir, para a humanidade, do ócio a ser brevemente criado pela automação. Para ser franco, como Sertanejo desconfiado que sou, como Sertanejo que trabalha duro desde os dezessete anos de idade, acho a Boa Preguiça uma coisa tão maravilhosa que não acredito que ela venha a ser possível, de jeito nenhum, neste chamado ‘vale de lágrimas’. (Vale lembrar que esse texto foi escrito em 1966, muito antes de o sociólogo italiano Domenico De Masi haver proposto a idéia do “ócio criativo”.)

“Parece que, queiramos ou não queiramos, a tecnologia e uma fase de trabalho intenso são, no mundo moderno, uma espécie de maldição inevitável, a única maneira que temos de nos libertar da inferioridade e da dominação econômicas….”

De fato, Suassuna tinha razão em alguns aspectos. Precisamos de trabalho e desenvolvimento para todos, contudo os brasileiros continuam trabalhando tanto quanto e recebendo remuneração menor do que as pessoas que vivem nos países mais ricos do mundo. O trabalho infantil afasta as crianças da escola, das brincadeiras e do convívio familiar. O ócio forçado criado pelo desemprego atinge milhões de brasileiros. A reforma agrária não deslancha e a luta no campo, por terra e trabalho, continua. Como mudar essa situação?

Uma pista é dada pelo sociólogo italiano Domenico De Masi, autor de O Ócio Criativo: “a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo. (…) É o que eu chamo de ‘ócio criativo’, uma situação que, segundo eu [penso], se tornará cada vez mais difundida no futuro.”

Pensando um pouco nisso tudo, parece que esse futuro ainda não chegou. Nossa sociedade ainda está longe de assegurar o ócio criativo para todos. É preciso assumir que o trabalho faz parte da vida, mas não é toda ela; que todos têm o direito e o dever de buscar seu sustento de forma digna e aproveitar seus momentos de ócio. Assim talvez cheguemos a aposentar a idéia do trabalho que exaure, por não deixar espaço/tempo para a reflexão. O Dia do Trabalho, então, será como uma festa ao serviço transformador, posto que permeado pela criatividade. E viva a Boa Preguiça com asas!

É interessante,pois o fragmento que vocês tarbalharão fala diretamente da questão do ócio criativo? O que quer dizer isto? Como o artista pode utilizar isto dentro da sua estética e no pensamento do fazer teatral?

Se quiserem respondam aqui no blog e vamos nos comunicando!

13 de Fevereiro de 2008

O Ator e O Método - Módulo 1

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

Olá à Todos do Módulo 1! Aqui vai um esquema da estrutura descrita por Kusnet à respeito da Metodologia de Constantin Stanislawski:

O Método da Ação Física

Ensaiar é altamente físico e exigente, e este foi um ponto que Stanislavski manteve como basilar para o Método de Atuação Física. Com isso, tinha-se um meio para alcançar o objetivo maior da verdade emocional, o realismo psicológico, tendo o total controle sobre o físico e o resto, de forma a poder assim representar desde o Moderno aos Clássicos da Grécia Antiga.

Na maturidade, o mestre russo defendia a importância do Método da Ação Física. Para se compreender o método, tem-se primeiro de entender a ação física. Ela baseia-se numa premissa de toda a emoção flui independente da vontade - a menos que o ator possa sobre ela exercer total controle, assim como tem-se sobre o corpo. Dominando-se a ambos, a vontade passa a controlar emoções como os movimentos somáticos. Para tanto, são feitos exercícios em que a memória emocional é evocada, algo que Stanislavski desenvolveu como ferramenta de ensaio ou técnica de pesquisa. Ao final, há apenas o corpo, sob total controle.

A interação entre ator e diretor passam, portanto, pelo desenvolvimento da melhor forma de desempenho, que se procura obter durante os ensaios.

Ação no palco

O que? Por que? Como?

Um princípio importante do sistema de Stanislavski é que todas as ações no palco têm que ter um propósito. Isto significa que a atenção do artista sempre deve ser enfocada em uma série de ações físicas ligadas sucessivamente pelas circunstâncias da cena. Stanislavski determinou que a maneira de se criar este elo entre as diversas ações é a resposta às três perguntas essenciais: O que?, Por que? e Como?, como pode se observar nos exemplos a seguir:

* O “o que” - Uma ação é executada, como por exemplo abrir uma carta;
* O “porquê” - A carta é aberta porque alguém disse que contém uma informação extremamente prejudicial ao personagem;
* O “como” - O personagem abre a carta ansiosamente, com medo, por causa do efeito calamitoso que seu conteúdo poderá provocar em seu personagem.

Estas ações físicas, que acontecem de momento a momento, são governadas por um objetivo maior que é aquele da própria peça que se está encenando.

O que? Por que? Como? são um princípio importante do sistema de Stanislavski.

Na última aula trabalhamos os conceitos de foco mínimo e foco máximo, que estão diretamente ligados aos pontos de concentração. Esta concentração se dá qaundo existe verdade na ação. Após a consitência dessa verdade, incia-se a projeção das relações, ou seja, como me relaciono com o espaço e as sensações. Acionamos neste instante aquele esquema que KUSNET avalia vomo a forma de alcance da personagem:

A realidade —- a situação e a necessidade —- a atitude ativa — INSTALAÇÃO

O maior obejtivo é chegar ao estado que chamamos de “fé Cênica” , que prega que o ator deve trazer a verdade do espírito humano à cena, trazer a tona a estrurura da personagem. Buscar isto através do trabalho em equipe, pois a cena não acontece sozinha, necessitamos da energia do outro para que se estabeleça o clima. O olhar é fundamental nessa construção, senão ficamos apenas no vazio e sem preenchimento de ação!

Ao estudarem o texto de Shakespeare, além de estudarem através da análise ativa, onde perceberão as pequenas nuances que o textos propõe, pensem nos subtextos (aquela voz interior que impulsiona a personagem à agir de determinada forma). Não deixem escapar os pequenos detalhes, pois nas pequenas ações vislumbra-se grande interpretações. Colocarei em breve material mais específico e detalhado sobre as nossas aulas e Teatro Renascentista.