19 de Fevereiro de 2010

Arnô Rodrigues morreu e ninguém se deu conta

Publicado por Ribamar Ribeiro em Sem Categoria

Morreu Arnô Rodrigues e eu quase não assisto a TV, mas hoje por acaso eu me deparei vendo o final de A Praça é Nossa, que acho bobo e ingênuo. Mas o que me chamou atenção que eu vi o Arnô Rodrigues fazendo um dos quadros (do qual ele participava a anos). Aí eu por curiosidade fui confirmar se ele era ele mesmo e decidi ver alguma foto ou história dele. Não havia nada de imediato. Afinal de contas, fui no Google, o local para as respostas universais (é o que dizem). Logo após minha curiosidade foi saciada, no final do quadro que ainda passava na TV, pois o Carlos Alberto (de Nóbrega) falou um texto tão emocionado em homenagem ao Arnô e que terminava assim: “Por que você fez com a gente, cara?”, alegando a morte súbita e acidental de Arnô. Aí fiquei mal, pois um artista se foi e ninguém se deu conta. Afinal, não era Michael, não era Ladi dy, não era Mamonas enfim, era só mais um artista. Eita, que mundo cão e derradeiro. Vou sentir falta dele. De alguma maneira!

16 de Fevereiro de 2010

O Carnaval e o Teatro

Publicado por Ribamar Ribeiro em Sem Categoria

mangueira 1 - mangueira 1

Tenho me tornado a cada dia um grande observador da Arte do Carnaval. Em algum tempo atrás, digamos na minha sóbria juventude, apesar de não ser velho, tenho sempre a sensação de que tudo aconteceu a muito tempo! Enfim, mas neste breve retorno de pensamento lembro-me bem que não entendia o porque do Carnaval, para que esta dedicação ferrenha e voraz para apenas um dia de trabalho, em casos estritos dois dias. Estou falando do Carnaval da Avenida, que alguns dizem que já não é mais Carnaval, mas acredito que envolva o conceito de Espetáculo. Aí eu comecei a adentrar nesta história, pois é a parte que me cabe. A montagem do espetáculo. E vejo que o Carnaval e o teatro tem inúmeras questões em comum e diversas diferenças. Minha primeira experiência com Carnaval foi em 1900 e quando? Deixa pra lá. A Escola era Porto da Pedra e eu desfilei no dia das Campeãs, ainda quando a escola vencedora do grupo de acesso desfilava no dia das Campeãs. Fui de farra em um bloco de sujos. Era um ano que homenageavam a Elza Soares. Eu só tinha um figurino de Pequeno Príncipe meio menino de Rua (não me perguntem porque) e fui desfilar com os amigos. Na época me diverti, mas ainda tinha meus preceitos e preconceitos. Alguns anos depois desfilei na Grande rio no carro abre alas, vestido de índio na Primeira Missa (cheio de urucum e com a bunda de fora, maravilhoso). Ali fizemos uma encenação, na verdade era teatro na avenida. Mesmo sendo um índio branquelo, foi emocionante. Nos outros anos desfilamos na Estação Primeira de Mangueira: no ano do Nordeste, no ano de Moisés, no ano dos Bonecos. Fiquei um tempo nesta Escola e foi muito importante para eu conhecer mais o conceito de construção do Carnaval. Cheguei a montar um musical juntamente com pesquisa de Nei Lopes, É isso aí, Irajá! contando a historia do samba no Irajá.

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O que é o enredo no samba para o teatro é o roteiro, o tema do espetáculo: drama ou comédia, como a história será contada e a forma. O samba enredo seria o texto que será falado. Os figurinos são as fantasias, o cenário os carros alegóricos, tripés e estandartes. A trilha sonora é a bateria. A iluminação que desenha as alegorias. O diretor é o carnavalesco e os atores divididos por ordem hierárquica: os principais na Comissão de Frente e Mestre Sala e Porta Bandeira, os coadjuvantes toda a escola que dá suporte para contar a história, o pessoal da força e apoios que são contra-regras e camareiros. Todos este aparato fez com que eu compreendesse melhor este mundo que não é tão longe do meu e isso fez com que eu me identificasse. E hoje digo que é algo que me apraz e fico extremamente empolgado de fazer parte disso e sei que isso me faz melhor como artista e cidadão.

   Isso a   Iraj   1 -    Isso a   Iraj   1