24 de Março de 2008

A Chegada em São Paulo

Publicado por Ribamar Ribeiro em Sem Categoria

Foi meu primeiro dia em São Paulo. Fui a reunião do Geografia na Palavra. Chegar em São Paulo é um acontecimento. Querendo ou não. Já fui em várias cidades no interior: Pindamonhangaba, Sorocaba, Presidente Prudente. Mas a capital é outra coisa. Estas cidades são microcosmos reprodutores desta grande São Paulo. Mas voltemos à chegada: é apoteótico! Tudo em grandes proporções. Muito prédio, muito cinza, muita geometria. Enquanto aqui no RJ nós temos a desigualdade e desnivelamento geográfico, em são Paulo tem muita reta, as curvas também são geométricas, delineadas, muitos ângulos retos, triângulos retângulos, 90 graus, enfim é ema aula de geometria. Cheguei no Terminal Tietê, mas antes muito trânsito, as horas e rush do Rio são ótimas perto de qualquer horário de lá! E o metrô? È londrino. Uma rapidez, super informado, muito melhor que no Rio, diga-se de passagem. Agora quando se entra não tem gente sorrindo, tudo muito sisudo, acho que é por causa das retas e ângulos dos prédios. Ah ! Paulista dá informação sim! È uma cidade sem identidade, mas que ao mesmo tempo mistura todas. São Paulo realmente não tem uma cara só! Chegando na FUNARTE. Aliás, que lugar bacana! Cheguei meio-dia, enfim o primeiro: depois foram chegando outros: Uma menina de Intanhahém, que é litoral de São Paulo, uma menina de Maceió, que viagem, literalmente. Depois Floripa, Mato Grosso do Sul, Recife, Bahia, Londrina….Bem só sei que ali realmente já estava uma Geografia da Palavra, uma mistura de Brasis em um só espaço…ainda não tinha paulista….só estavam os “estrangeiros” brasileiros em São Paulo. Conversei com alguns e muito parecidos conosco artisticamente falando, ou melhor, os mesmos problemas e soluções pra falta de grana pra produção. Acredito que vai ser uma vivência completamente diferente. Sexta é com o Abujamra! Vamos ver! Aqui termino o primeiro Diário de Bordo da Geografia da Palavra.

10 de Março de 2008

Geografia da Palavra - Projeto em São Paulo com Abujamra

Publicado por Ribamar Ribeiro em Sem Categoria

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Funarte divulga lista de classificados para o programa Geografia da Palavra

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Cooperativa Paulista de Teatro divulgam nesta quinta-feira, 6 de março de 2008, a relação dos 55 selecionados para o programa Geografia da Palavra, que dará início às atividades do Centro de Aperfeiçoamento Teatral (CAT) no Espaço Funarte São Paulo.

Ao todo, 1.465 pessoas, das cinco regiões do Brasil, candidataram-se ao Geografia da Palavra. O programa, uma parceria entre a Fundação Nacional de Artes (Funarte), o Teatro Commune e a Cooperativa Paulista de Teatro, terá coordenação geral de Antônio Abujamra e promoverá encontros de formação em sete áreas distintas no campo das artes cênicas. Depois da região Sudeste, que abriga o projeto, as regiões Nordeste e Sul são as que registram o maior número de interessados inscritos.

Esta primeira atividade do Centro de Aperfeiçoamento Teatral da Funarte terá duração de 5 meses. Neste período, os candidatos selecionados irão partilhar com os coordenadores de área Antônio Abujamra (Direção e Interpretação), Cyro del Nero (Cenografia e Figurinos), Wagner Freire (Iluminação), Marcello Amalfi (Trilha Sonora) e José Roberto Simões (Produção) o processo de construção de um espetáculo teatral que terá temporada de apresentações gratuitas em São Paulo.

A seleção dos candidatos foi feita a partir de análise de currículos e cartas de interesse enviados pelos candidatos. Os diretores teatrais convidados Paulo Roberto Faria e Newton Armani de Souza, e o profissional de Artes Cênicas da Funarte Reinaldo Maia ficaram a cargo da seleção nas áreas de Direção e Interpretação. A seleção para as demais áreas ficaram a cargo de seus respectivos coordenadores. A escolha baseou-se, entre outros pontos, no entendimento de que o Geografia da Palavra não objetiva a iniciação artística dos participantes, mas a concretização de uma montagem que contribuirá para a formação de público após a sua estréia, o que pressupõe a necessidade de experiência.

Os avaliadores buscaram o equilíbrio entre as diferenças regionais do País e os objetivos do projeto como um todo, para garantir a igualdade de condições de todos os inscritos e a manutenção dos critérios da convocação feita pela Instituição. O relatório final dos avaliadores afirma que houve “cuidado para aplicar um critério unilateral”, mesmo num País tão diverso como o Brasil. Segundo a comissão, “levar em consideração as especificidades regionais não pode significar perder de vista os objetivos do projeto como um todo”.

De forma inédita na Funarte São Paulo, os participantes receberão bolsas de estudo no valor R$ 800 mensais para quem mora na Grande São Paulo, e R$ 1.100 mensais para que vem de qualquer outro ponto do País. As oficinas de formação têm início nos dias 14, 15 e 16 de março, e serão sempre de quarta a domingo, das 16h às 21h. A Funarte São Paulo está contatando todos os candidatos selecionados para informá-los diretamente sobre a data da assinatura dos contratos e os documentos que devem ser apresentados na ocasião.

Geografia da Palavra
Local: Espaço Funarte São Paulo
Alameda Nothmann, 1.058, Campos Elíseos, São Paulo, SP
Início: Dias 14 (às 17h), 15 (15h) e 16 de março (15h)
Horário: De quarta a domingo, das 16 às 21h

CANDIDATOS SELECIONADOS:

INTERPRETAÇÃO

Bolsistas
Amazyles de Almeida (SP)
André Blumenschein (SP)
André Corrêa (SP)
Claudio Marconcine (PB)
Daniela Beny (AL)
Daniela Smith (SP)
Felipe Lopes (SP)
Frida Takats (SP)
João Rodrigues Mendes (SP)
Luciana Gabriel (SP)
Marcelo Almada (SP)
Mario Cruz Filho (CE)
Maura Hayas (SP)
Mauro Schames (SP)
Régis Santos (SP)
Renata Guida (SP)
Rodrigo Bolzan (SP)
Tatiana de Marca (SP)
Tatto Medinni (PE)
Tay Lopez (SP)
Tiago Gonçalves Teles (RS)
Ubiratã Trindade (BA)

Suplentes
Amilton Rogerio Barbosa dos Reis (SP)
Braulio Ferraz (SP)
Eugênio Bruck (SP)
Rômulo Crescente (SP)
Tatiana Americano Freire Larotonda (SP)

DIREÇÃO

Bolsistas
Ângela Moura (CE)
Denis Camargo (DF)
Eliana Correia (RJ)
Espedito Montebranco (MS)
Germano Melo (SP)
Gonzaga Pedrosa (SP)
Michelle Ferreira (SP)
Ribamar Ribeiro (RJ)
Tales Frey (RJ)
Vitor Hugo Samudio Delasierra Britez (MS)

Suplentes
Diego Marques (SP)
Felipe de Menezes (SP)
Solange Akierman (SP)

PRODUÇÃO

Bolsistas
Alexandre Sampaio (PE)
Bruno Lelis de Souza Faria (MG)
Geondes Antonio (SP)
Thiago Salles (SP)
Zeza Freitas (SP)

Suplentes
Juliana Tu (SP)
Larissa Biasoli (SP)
Priscila Appella (SP)
Priscila Orban (SP)
Vanessa Medeiros

ILUMINAÇÃO

Bolsistas
Adriana Maria da Silva (PE)
André Bazan (SP)
Karine Spuri (PR)
Luciana Silva Marques (SP)
Wagner Santoro (SP)

Suplentes
Jeferson Teles (SP)
Renata Dias Afonso (SP)
Wagner Antônio (SP)
Valéria Lovato (SP)

CENOGRAFIA

Bolsistas
Carila Matzenbacher (SP)
Clarissa Lima (SP)
Cláudia Malaco (SP)
Francine Sanches Fernandes (SP)
José Valdir Albuquerque (SP)

FIGURINO

Bolsistas
Ana Carolina Souza (SP)
Laila Ferreira Soares (MG)
Adriana Novaes Quagliato (SP)

SONOPLASTIA E TRILHA MUSICAL

Bolsistas
Celso Pan (SP)
Daniel Tauszig (SP)
Fernando Chaib (SP)
Orlando Nascimento (PE)
Rebeca da Coll (RJ)

Suplentes
Juliano Deane de Moares (SP)
Leon Tolentino Bucaretchi (SP)
Paulo Vinícius Kishimoto (SP)
Vanderlei Baeza Lucentini (SP)
Virgínia Barbosa (SP)

1 de Março de 2008

A estrutura da Cultura Cigana - Módulo II

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

Um pouco sobre os costumes ciganos

“O tempo é uma ilusão do homem e as fronteiras são apenas linhas em um mapa”

Ao que tudo indica, o povo cigano teve origem através de uma migração de indianos em direção ao ocidente. Depois de passar pela Pérsia e pela Turquia, sua presença já é registrada na Grécia e em outros países balcânicos. Como base dessa afirmação temos a hipótese mais aceita sobre a origem do povo cigano, que diz que seu berço é datado de dois ou três séculos antes de Cristo, vindos de uma civilização da Índia Antiga. Outros pontos também colaboram para que essa hipótese seja reforçada, como a tez morena, comum aos hindus e ciganos, o gosto por roupas vistosas e coloridas e princípios religiosos, tal como a crença na reencarnação. O fato de o povo cigano não ter, até os dias de hoje, uma linguagem escrita torna ainda mais difícil definir sua verdadeira origem.
Contudo, o povo cigano é guardião da liberdade e seu grande lema é “O Céu é meu teto, a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião.” Em sua maioria, os ciganos são artistas e exímios ferreiros, fabricando seus próprios utensílios domésticos, suas jóias e suas selas. A família é a base da organização social dos ciganos, não havendo hierarquia rígida no interior dos grupos. O comando normalmente é exercido pelo homem mais capaz, uma vez que os ciganos respeitam acima de tudo a inteligência. Esse povo canta e dança tanto na alegria como na tristeza pois para o cigano a vida é uma festa e a natureza que o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. Onde quer que estejam, os ciganos são logo reconhecidos por suas roupas e ornamentos, e, principalmente por seus hábitos ruidosos. É um povo cheio de energia e grande dose de passionalidade. São tão peculiares dentro do seu próprio código de ética, honra e justiça, senso, sentido e sentimento de liberdade que contagiam e incomodam qualquer sistema. Eles usam ervas, chás e toques curativos.
Os ciganos geralmente se reúnem em tribos para festejar os ritos de passagem: o Nascimento, a Morte, o Casamento e os Aniversários; e acreditam na Reencarnação (mas não incorporam nenhum espírito ou entidade). Estão sempre reunidos nos campos, nas praias, nas feiras e nas praças.
O misticismo e a religiosidade, fazem parte de todos os hábitos da vida cigana. Normalmente, assimilam as religiões do lugar onde se encontram, mas jamais deixam de lado o culto aos antepassados, o temor dos maus-olhados, a crença na reencarnação e na força do destino (baji), contra a qual não adianta lutar. O mais importante para o Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus ciclos naturais e sua força geradora e provedora.
Outro fato que chama a atenção para a provável origem indiana do povo cigano, é a santa por quem nutrem o mais devotado amor e respeito, chamada Santa Sara Kali. Kali é venerada pelo povo hindu como uma deusa, que consideram como a Mãe Universal, a Alma Mater, a Sombra da Morte. Sua pele é negra tal como Shiva.
Para o Povo Cigano, a Lua Cheia é o maior elo de ligação com o “sagrado”, quando são realizados mensalmente os grandes festivais de consagração, imantação e reverenciação à grande “madrinha”. As celebrações da Lua Cheia, acontecem todos os meses em torno das fogueiras acesas, do vinho e das comidas, com danças e orações. Também para os ciganos tudo na vida é “maktub” (está escrito nas estrelas), por isso são atentos observadores do céu e verdadeiros adoradores dos astros e dos sidéreos. Os ciganos praticam a Astrologia da Mãe Terra respeitando e festejando seus ciclos naturais, através dos quais desenvolvem poderes verdadeiramente mágicos.

Vestimentas e danças ciganas

A música aparece de maneira marcante na história de quase todos os povos, mesmo aqueles considerados primitivos ou selvagens, representando uma parte ativa e de importância na estrutura social e religiosa dos mesmos. As tribos indígenas do Brasil e da América do Norte são exemplos vivos de povos que dançavam e ainda dançam em ritos e cerimônias ofertados aos deuses.
A música árabe, flamenca e hindu são as que mais se assemelham à dança cigana. O povo cigano tem na dança uma de suas mais vivas e exuberantes formas de expressão, tirando dos passos, dos volteios do corpo, do rodar de suas saias, do meneio de suas cabeças e mãos, uma alegria contagiante e uma vivacidade talvez única.
Dependendo de sua origem, algumas ciganas dançam segurando pandeiros enfeitados com fitas coloridas, lenços esvoaçantes, leques ou flores. Os homens dançam com as mulheres apenas reforçando a presença masculina, sem toque ou contato físico entre eles. Nas danças em grupo é mantido o respeito entre homens e mulheres, sendo que os homens preferencialmente dançam em grupos somente masculinos, numa dança vibrante, máscula,com passos muito marcados, que requerem muita agilidade e grande condicionamento físico. Os bailados masculinos lembram as danças gregas e russas, que requerem muito mais um ótimo treinamento físico que simples passos de dança. Nas festas, a dança é livre, sem regras. Cada um se diverte como quer, nunca esquecendo o recato e os limites entre homens e mulheres. Nas danças cerimoniais ou rituais existe maior formalidade, os movimentos são mais singelos, curtos e lentos, a expressão do rosto é séria e as cores das roupas mais sóbrias, pois o importante é o fundamento do ritual, que em geral é a entrega de oferendas à natureza, tida como uma força divina, protetora e doadora de bênçãos. O violino, as castanholas, a guitarra cigana, o aderbaque, o banjo, o violão e o pandeiro são os instrumentos mais comuns entre os ciganos, apesar de variarem conforme a região de sua procedência.
Os ciganos procedentes da Espanha, os gitanos, dançam o flamenco, uma dança em dupla ou em grupo onde é forte o sapateado, o bater enérgico das palmas das mãos e o som das castanholas.A dança é aprendida desde a infância e não existe limite de idade para se dançar.
Suas roupas representam um dos aspectos mais importantes de sua cultura, pois além do significado próprio das vestes dentro dos costumes ciganos, traduzem também uma obediência às tradições do passado e uma das formas de mantê-las vivas ao longo do tempo.
As mulheres usam saias longas, geralmente até os tornozelos, numa demonstração de recato e ao mesmo tempo sedução. Acham desnecessário expor o corpo no pressuposto de que tudo que é muito fácil é desvalorizado. As blusas não possuem decotes ousados, as saias são rodadas e fartas, usando as ciganas mais ricas várias saias sobrepostas. O colorido é o forte atrativo de suas roupas. Muitas gostam de xales, fitas, rendas, possuindo um significado simbólico dentro de cada família cigana. As mulheres ciganas são muito vaidosas e faceiras, usando a discrição das roupas para fascinarem. As mulheres casadas usam o diklo, lenço de seda no cabelo, as solteiras não. O lenço não precisa cobrir todo o cabelo, mas apanhar um tanto do cabelo. Se uma mulher casada retira o lenço em público ou deixa de usá-lo isto é encarado como de mau agouro, desrespeito ao marido ou chamamento de viuvez. As jóias são usadas por ambos os sexos. Cordões de ouro, colares, pulseiras, anéis fazem parte da indumentária cigana como sinal de poderio econômico e elementos de proteção.
A roupa dos homens também é bem cuidada, compondo um visual elegante e ostensivo. Camisas bordadas, de mangas largas, calças confortáveis e botas são complementadas com cinturões largos, ou longas faixas de tecido colorido presas à cintura. Alguns usam chapéus de aba larga e lenços na cabeça ou no pescoço.
As cores possuem um significado que é usado tanto nas roupas femininas quanto masculinas. O vermelho simboliza a energia do fogo purificador e é usado para afastar as más influências e a negatividade; o amarelo traduz a riqueza, a vivacidade e a inteligência; o verde traz o simbolismo da cura, da esperança e da renovação da vida tal como acontece na primavera, que transborda de verde e cores mil, após o frio e o rigor do inverno. O povo cigano associa o azul ao céu, onde residem os espíritos guardiões e a Virgem Maria recoberta por seu manto azul; esta cor traz a tranqüilidade e a paz das esferas superiores, além de representar o elemento água. O cinza não é bem visto. O branco simboliza a pureza das crianças, dos anjos protetores e os estados virginais. O preto é usado como uma cor complementar ou de fundo, e raramente veremos um cigano vestido totalmente de preto, que é uma cor usada nos funerais, embora eles não tenham por hábito vestir luto. O preto é reservado para os rituais de magia junto com o branco e o vermelho.
Andar sem calçados também faz parte do misticismo cigano, pois acreditam que esta é uma maneira de descarregar a energia negativa na terra, ao mesmo tempo propiciando a entrada de energia positiva que vem do céu, do Sol, da Lua e das estrelas.
Os ciganos são pessoas que prezam o suficiente sua história e primam por mantê-la viva, inclusive no que diz respeito às vestimentas e à dança.

Culinária cigana

Aos traços da cultura cigana não se pode deixar de acrescentar as características muito particulares de sua culinária.
As ciganas, por exemplo, não cozinham durante o período menstrual, grávidas ou em período de resguardo. A culinária e muito bem empregada, já que os pratos são feitos na intenção de homenagear e encantar os convidados à casa da cigana. Na casa dos Romani (ciganos) mais tradicionais, os objetos de limpeza da cozinha são separados dos demais. Toda comida é cuidadosamente preparada, e a água utilizada para lavar os utensílios, bem como a preparação dos alimentos, deve ser pura. As mãos são utilizadas em lugar de alguns talheres, por isso é hábito entre nômades lavar sempre as mãos antes de sentar-se à mesa.
As especiarias são a alma da culinária romani. Além do sabor que acrescentam aos pratos, oferecem-nos também seus dons mágicos. Todos os rituais Romani envolvem a divisão do alimento. Para este povo, uma das maiores ofensas é recusar uma refeição. Para o povo cigano, é o corpo que se nutre, mas é o espírito que se alimenta.

O flamenco

” Se no tiene con el flamenco una relacíon de diez horas diarias, distribuidas entre ensayos, estudiar, practicar, aprender, enseñar, leer, escuchar, revisar vídeos (pero no para copiar cosas) e pensar en todo esto, es muy difícil que el nivel llegue a ser bueno.”
Carlos Ledermman

Existem muitas perguntas sobre o flamenco: Como surgiu? Porque se chama flamenco? O que de fato é o flamenco?…indagações que muitos pesquisadores buscam responder e dedicam milhares de livros todos os anos sobre o assunto.
O flamenco surgiu em Andalucia, região da Espanha. Provavelmente resultado de várias influências culturais ancestrais judaicas, árabes, catalãs e ciganas, que se fundiram na região e foram passadas de geração a geração. Sua história é recente, contando com um pouco mais de duzentos anos de existência documentada. É através do canto, da música e da dança que o flamenco se manifesta estando estas três artes tão bem interligadas que se torna impossível imaginar um bom espetáculo de flamenco sem um cantor, um ou dois músicos e algumas bailarinas! É conhecida com arte ‘Honda’ pois pode proporcionar um canal de expressão dos profundos e complexos instintos humanos, ou arte cigana pela influência da cultura cigana tão presente ao longo de sua história e origem.
Ele possui distintos ritmos, conhecidos como ‘palos’, sendo os principais palos os que dão origens a novos de acordo com a região, momento histórico, ou até mesmo criados por habilidosos artistas que deixaram no flamenco o nome gravado para a eternidade. Palos estes que expressam festividade, patriotismo, religiosidade, paixões obscuras, pesares.
Por muito tempo ficou escondido nos subúrbios e regiões portuárias de Sevilla, Jerez, Granada, Utrera e Cádiz. Depois se tornou atração turística dos cafés cantantes, teatros e arenas, até espalhar suas sementes nos países de língua espanhola no período da guerra civil, aplacando a saudade e o orgulho dos que precisaram fugir da pátria-mãe. Provavelmente com a expansão do mercado consumidor de produtos e espetáculos flamencos, ele se libertou da indumentária folclórica espanhola e ganhou ares de linguagem artística por si, massificando-se. Atualmente ele sobrevive ao tempo e modismo transcendendo fronteiras e nacionalidades, recebendo influência de outras tendências musicais ou técnicas de dança, contudo sem perder suas características marcantes.

1 de Março de 2008

Características do ócio criativo

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

O ócio criativo

Este pensamento afirma que vivemos em uma sociedade , que ele chama de pós-industrial, onde o homem é apenas mais um elemento produtivo, não há distribuição igualitária do poder, do saber e do trabalho e uma verdadeira obsessão consumista faz do homem um autômato sem tempo para desenvolver-se como um todo.

Ao constatar que trabalhamos hoje, de forma tão primitiva como se fazia muito antes do surgimento da industria e de que nossas horas de lazer são mais uma compensação pelas horas trabalhadas do que verdadeiramente lazer, o sociólogo propõe a teoria do ócio criativo. Aqui, “ócio” não significa preguiça, sedentarismo ou alienação. Talvez a melhor analogia que possa ser dada para exemplificar, seja a do poeta deitado na rede , compondo mentalmente seus versos. O ócio criativo significa, então, um exercício do sincretismo entre atividade, lazer e estudo, propondo ao homem que ele se desenvolva em todas as suas dimensões.

Aqui não se prega a diminuição das horas trabalhadas, antes até um aumento, mas que a responsabilidade não seja tão estafante quanto a atividade de quebrar pedras. O que ele afirma é que deve haver uma fusão entre produção e prazer. Se a necessidade é a mãe das invenções, o ócio é, então, o pai das idéias.

O grande entrave para a nova base econômica proposta por Domenico é que ela não mais se fundaria na cumulação de bens materiais, na obsessão pelo trabalho ou pela produção, o que significa interferir não só em grandes conglomerados e multinacionais, mas atingir diretamente a cultura de países e , mais especificamente, o modo de pensar de bilhões de indivíduos educados para se tornarem produtores-consumidores.

Longe de ser anacrônica, a teoria de Domenico já encontra adeptos em todo mundo. Inclusive nas grandes empresas há casos de empregados que desenvolvem suas atividades em casa ou mesmo possuem horários de trabalho totalmente flexíveis.

Mesmo àqueles para os quais a idéia do ócio criativo possa parecer intangível, a leitura ainda será proveitosa por se tratar de uma verdadeira aula de história da sociedade industrial.

O ócio criativo é a forma que o artista encontra pra definir seu trabalho de uma maneira formal e estruturada dentro da sociedade contemporânea. O artista que pensa e age e desta forma produz e cria! Criar cansa e muito. O verdadeiro artista sai desgastado e por vezes enlouquecido!

abraços a todos

Ribamar