Os Ciclomáticos DNA - Ariano Suassuna
Estudo da Farsa da Boa Preguiça
Olá meninos do DNA! Bem vamos lá: sugiro que no estudo de vocês percebam a questão política inserida no texto, percebam nas entrelinhas certas colocações que Suassuna, às vezes, moderadamente, em outras deliberadamente, ela se insere nas falas das personagens. Mais a frente estudaremos à respeito da Teoria Marxista e também a estruturação no formato de Checov. Aqui vai um texto que fala um pouco da construção do texto da Farsa da Boa Preguiça:
O Trabalho e o Ócio
Há uma Preguiça com asas,/ outra com chifres e rabo. /
Há uma preguiça de Deus / E outra preguiça do Diabo.
(Ariano Suassuna, Farsa da Boa Preguiça)
“…. depois que escrevi a Farsa da Boa Preguiça, comecei a tomar conhecimento de artigos nos quais os sociólogos nos alertavam para os problemas que poderiam advir, para a humanidade, do ócio a ser brevemente criado pela automação. Para ser franco, como Sertanejo desconfiado que sou, como Sertanejo que trabalha duro desde os dezessete anos de idade, acho a Boa Preguiça uma coisa tão maravilhosa que não acredito que ela venha a ser possível, de jeito nenhum, neste chamado ‘vale de lágrimas’. (Vale lembrar que esse texto foi escrito em 1966, muito antes de o sociólogo italiano Domenico De Masi haver proposto a idéia do “ócio criativo”.)
“Parece que, queiramos ou não queiramos, a tecnologia e uma fase de trabalho intenso são, no mundo moderno, uma espécie de maldição inevitável, a única maneira que temos de nos libertar da inferioridade e da dominação econômicas….”
De fato, Suassuna tinha razão em alguns aspectos. Precisamos de trabalho e desenvolvimento para todos, contudo os brasileiros continuam trabalhando tanto quanto e recebendo remuneração menor do que as pessoas que vivem nos países mais ricos do mundo. O trabalho infantil afasta as crianças da escola, das brincadeiras e do convívio familiar. O ócio forçado criado pelo desemprego atinge milhões de brasileiros. A reforma agrária não deslancha e a luta no campo, por terra e trabalho, continua. Como mudar essa situação?
Uma pista é dada pelo sociólogo italiano Domenico De Masi, autor de O Ócio Criativo: “a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo. (…) É o que eu chamo de ‘ócio criativo’, uma situação que, segundo eu [penso], se tornará cada vez mais difundida no futuro.”
Pensando um pouco nisso tudo, parece que esse futuro ainda não chegou. Nossa sociedade ainda está longe de assegurar o ócio criativo para todos. É preciso assumir que o trabalho faz parte da vida, mas não é toda ela; que todos têm o direito e o dever de buscar seu sustento de forma digna e aproveitar seus momentos de ócio. Assim talvez cheguemos a aposentar a idéia do trabalho que exaure, por não deixar espaço/tempo para a reflexão. O Dia do Trabalho, então, será como uma festa ao serviço transformador, posto que permeado pela criatividade. E viva a Boa Preguiça com asas!
É interessante,pois o fragmento que vocês tarbalharão fala diretamente da questão do ócio criativo? O que quer dizer isto? Como o artista pode utilizar isto dentro da sua estética e no pensamento do fazer teatral?
Se quiserem respondam aqui no blog e vamos nos comunicando!