13 de Fevereiro de 2008

Os Ciclomáticos DNA - Ariano Suassuna

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

Estudo da Farsa da Boa Preguiça

Olá meninos do DNA! Bem vamos lá: sugiro que no estudo de vocês percebam a questão política inserida no texto, percebam nas entrelinhas certas colocações que Suassuna, às vezes, moderadamente, em outras deliberadamente, ela se insere nas falas das personagens. Mais a frente estudaremos à respeito da Teoria Marxista e também a estruturação no formato de Checov. Aqui vai um texto que fala um pouco da construção do texto da Farsa da Boa Preguiça:

O Trabalho e o Ócio

Há uma Preguiça com asas,/ outra com chifres e rabo. /
Há uma preguiça de Deus / E outra preguiça do Diabo.
(Ariano Suassuna, Farsa da Boa Preguiça)

“…. depois que escrevi a Farsa da Boa Preguiça, comecei a tomar conhecimento de artigos nos quais os sociólogos nos alertavam para os problemas que poderiam advir, para a humanidade, do ócio a ser brevemente criado pela automação. Para ser franco, como Sertanejo desconfiado que sou, como Sertanejo que trabalha duro desde os dezessete anos de idade, acho a Boa Preguiça uma coisa tão maravilhosa que não acredito que ela venha a ser possível, de jeito nenhum, neste chamado ‘vale de lágrimas’. (Vale lembrar que esse texto foi escrito em 1966, muito antes de o sociólogo italiano Domenico De Masi haver proposto a idéia do “ócio criativo”.)

“Parece que, queiramos ou não queiramos, a tecnologia e uma fase de trabalho intenso são, no mundo moderno, uma espécie de maldição inevitável, a única maneira que temos de nos libertar da inferioridade e da dominação econômicas….”

De fato, Suassuna tinha razão em alguns aspectos. Precisamos de trabalho e desenvolvimento para todos, contudo os brasileiros continuam trabalhando tanto quanto e recebendo remuneração menor do que as pessoas que vivem nos países mais ricos do mundo. O trabalho infantil afasta as crianças da escola, das brincadeiras e do convívio familiar. O ócio forçado criado pelo desemprego atinge milhões de brasileiros. A reforma agrária não deslancha e a luta no campo, por terra e trabalho, continua. Como mudar essa situação?

Uma pista é dada pelo sociólogo italiano Domenico De Masi, autor de O Ócio Criativo: “a plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo. (…) É o que eu chamo de ‘ócio criativo’, uma situação que, segundo eu [penso], se tornará cada vez mais difundida no futuro.”

Pensando um pouco nisso tudo, parece que esse futuro ainda não chegou. Nossa sociedade ainda está longe de assegurar o ócio criativo para todos. É preciso assumir que o trabalho faz parte da vida, mas não é toda ela; que todos têm o direito e o dever de buscar seu sustento de forma digna e aproveitar seus momentos de ócio. Assim talvez cheguemos a aposentar a idéia do trabalho que exaure, por não deixar espaço/tempo para a reflexão. O Dia do Trabalho, então, será como uma festa ao serviço transformador, posto que permeado pela criatividade. E viva a Boa Preguiça com asas!

É interessante,pois o fragmento que vocês tarbalharão fala diretamente da questão do ócio criativo? O que quer dizer isto? Como o artista pode utilizar isto dentro da sua estética e no pensamento do fazer teatral?

Se quiserem respondam aqui no blog e vamos nos comunicando!

13 de Fevereiro de 2008

O Ator e O Método - Módulo 1

Publicado por Ribamar Ribeiro em textos para estudo

Olá à Todos do Módulo 1! Aqui vai um esquema da estrutura descrita por Kusnet à respeito da Metodologia de Constantin Stanislawski:

O Método da Ação Física

Ensaiar é altamente físico e exigente, e este foi um ponto que Stanislavski manteve como basilar para o Método de Atuação Física. Com isso, tinha-se um meio para alcançar o objetivo maior da verdade emocional, o realismo psicológico, tendo o total controle sobre o físico e o resto, de forma a poder assim representar desde o Moderno aos Clássicos da Grécia Antiga.

Na maturidade, o mestre russo defendia a importância do Método da Ação Física. Para se compreender o método, tem-se primeiro de entender a ação física. Ela baseia-se numa premissa de toda a emoção flui independente da vontade - a menos que o ator possa sobre ela exercer total controle, assim como tem-se sobre o corpo. Dominando-se a ambos, a vontade passa a controlar emoções como os movimentos somáticos. Para tanto, são feitos exercícios em que a memória emocional é evocada, algo que Stanislavski desenvolveu como ferramenta de ensaio ou técnica de pesquisa. Ao final, há apenas o corpo, sob total controle.

A interação entre ator e diretor passam, portanto, pelo desenvolvimento da melhor forma de desempenho, que se procura obter durante os ensaios.

Ação no palco

O que? Por que? Como?

Um princípio importante do sistema de Stanislavski é que todas as ações no palco têm que ter um propósito. Isto significa que a atenção do artista sempre deve ser enfocada em uma série de ações físicas ligadas sucessivamente pelas circunstâncias da cena. Stanislavski determinou que a maneira de se criar este elo entre as diversas ações é a resposta às três perguntas essenciais: O que?, Por que? e Como?, como pode se observar nos exemplos a seguir:

* O “o que” - Uma ação é executada, como por exemplo abrir uma carta;
* O “porquê” - A carta é aberta porque alguém disse que contém uma informação extremamente prejudicial ao personagem;
* O “como” - O personagem abre a carta ansiosamente, com medo, por causa do efeito calamitoso que seu conteúdo poderá provocar em seu personagem.

Estas ações físicas, que acontecem de momento a momento, são governadas por um objetivo maior que é aquele da própria peça que se está encenando.

O que? Por que? Como? são um princípio importante do sistema de Stanislavski.

Na última aula trabalhamos os conceitos de foco mínimo e foco máximo, que estão diretamente ligados aos pontos de concentração. Esta concentração se dá qaundo existe verdade na ação. Após a consitência dessa verdade, incia-se a projeção das relações, ou seja, como me relaciono com o espaço e as sensações. Acionamos neste instante aquele esquema que KUSNET avalia vomo a forma de alcance da personagem:

A realidade —- a situação e a necessidade —- a atitude ativa — INSTALAÇÃO

O maior obejtivo é chegar ao estado que chamamos de “fé Cênica” , que prega que o ator deve trazer a verdade do espírito humano à cena, trazer a tona a estrurura da personagem. Buscar isto através do trabalho em equipe, pois a cena não acontece sozinha, necessitamos da energia do outro para que se estabeleça o clima. O olhar é fundamental nessa construção, senão ficamos apenas no vazio e sem preenchimento de ação!

Ao estudarem o texto de Shakespeare, além de estudarem através da análise ativa, onde perceberão as pequenas nuances que o textos propõe, pensem nos subtextos (aquela voz interior que impulsiona a personagem à agir de determinada forma). Não deixem escapar os pequenos detalhes, pois nas pequenas ações vislumbra-se grande interpretações. Colocarei em breve material mais específico e detalhado sobre as nossas aulas e Teatro Renascentista.